Cambridge Day 2026: um dia de reflexões sobre ensino, inclusão e aprendizagem
- Ingrid Baggio
- 26 de jul.
- 3 min de leitura
Na última segunda-feira, tive a oportunidade de participar do Cambridge Day 2026, um evento que reuniu professores de língua inglesa para discutir desafios atuais, compartilhar boas práticas e refletir sobre o futuro do ensino de inglês.
Mais do que um encontro de formação continuada, o Cambridge Day é sempre uma excelente oportunidade para trocar experiências com outros profissionais da área e entrar em contato com pesquisas e metodologias que nos fazem repensar nossa prática em sala de aula.
Ao longo da manhã, três palestras abordaram temas bastante diferentes, mas que convergiam para um mesmo objetivo: tornar o ensino de inglês mais significativo, inclusivo e centrado no aluno.
Herbert Puchta: os desafios de ensinar adolescentes

A primeira palestra foi conduzida por Herbert Puchta, professor de inglês na Universidade de Graz, na Áustria. Sua apresentação teve como foco um dos maiores desafios enfrentados por muitos professores: ensinar adolescentes.
Em um contexto em que os alunos estão constantemente cercados por distrações, como redes sociais e celulares, manter o interesse e o engajamento durante as aulas pode parecer uma tarefa cada vez mais difícil. Herbert discutiu justamente como compreender melhor essa faixa etária e criar aulas que despertem sua curiosidade e motivação.
Um dos principais pontos levantados foi que adolescentes precisam sentir que aquilo que fazem em sala de aula tem relevância para suas vidas. Atividades que promovem comunicação autêntica, colaboração e oportunidades para que expressem suas opiniões tendem a gerar muito mais envolvimento do que tarefas puramente mecânicas.
Mais do que ensinar inglês, o professor também tem o papel de ajudar esses alunos a desenvolverem confiança para se comunicar.
Ben Goldstein: pertencimento, respeito e acolhimento na sala de aula

A segunda palestra, ministrada por Ben Goldstein, foi a que mais me marcou.
Sua apresentação abordou a importância de construir salas de aula onde os alunos sintam que pertencem àquele ambiente. Em vez de enxergar a aprendizagem apenas como transmissão de conteúdo, Ben enfatizou que ela depende diretamente da qualidade das relações estabelecidas dentro da sala de aula.
Criar um ambiente de respeito, acolhimento e segurança psicológica faz com que os estudantes se sintam mais confortáveis para participar, fazer perguntas e, principalmente, cometer erros, algo que é absolutamente essencial no processo de aprendizagem de uma língua.
Um aspecto que achei particularmente interessante foi sua defesa do uso estratégico da língua materna (L1) em sala de aula. Durante muito tempo, acreditou-se que o ideal seria eliminar completamente a língua nativa do ambiente de aprendizagem. No entanto, Ben apresentou argumentos mostrando que, quando utilizada de forma consciente, a L1 pode facilitar a compreensão, reduzir a ansiedade dos alunos e servir como uma importante ponte para a aquisição da língua estrangeira.
Foi especialmente gratificante ouvir essa perspectiva, já que esse é um tema que considero extremamente relevante e que vem sendo cada vez mais respaldado por pesquisas na área de Linguística Aplicada.
Samantha Lewis: inclusão e avaliação de alunos SEND

A última palestra foi apresentada por Samantha Lewis e tratou da inclusão de alunos SEND (Special Educational Needs and Disabilities), estudantes com necessidades educacionais especiais e deficiências.
Seu foco esteve principalmente em como tornar os processos de avaliação mais inclusivos e justos, sem comprometer os objetivos de aprendizagem.
Um dos pontos mais importantes da apresentação foi a ideia de que tratar todos os alunos exatamente da mesma forma nem sempre significa oferecer uma avaliação justa. Em muitos casos, promover equidade significa adaptar estratégias, recursos e formas de avaliação para que cada estudante tenha condições reais de demonstrar aquilo que aprendeu.
Samantha apresentou exemplos práticos de adaptações possíveis e reforçou que inclusão não deve ser vista como uma exceção, mas como parte natural de uma educação de qualidade.
Reflexões finais
Ao final do evento, ficou evidente que, embora cada palestra tenha abordado um tema diferente, todas transmitiam uma mensagem em comum: o aluno precisa estar no centro do processo de aprendizagem.
Engajar os estudantes, construir ambientes acolhedores e desenvolver práticas verdadeiramente inclusivas são desafios distintos, mas todos fazem parte de um mesmo compromisso: oferecer um ensino de inglês que seja humano, significativo e acessível para todos.
Saí do Cambridge Day com muitas ideias para levar às minhas aulas e com a certeza de que momentos como esse reforçam a importância da formação continuada. Afinal, ensinar uma língua vai muito além de trabalhar gramática e vocabulário: é criar oportunidades para que cada aluno se sinta capaz, pertencente e confiante para se comunicar.



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